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Numa Ilha Deserta
Um analista de sistemas, muito introvertido, do tipo que respira informática 24h por dia e não larga seu Notebook, finalmente conseguiu ser convencido pelas propagandas da Internet a fazer um cruzeiro por ilhas paradisíacas.

Ah. . . Que delicia! O mar azul que ele só conhecia por seu monitor de vídeo, os golfinhos. . . Hummmm. . . Nada de ar-condicionado, mainframes, Pc, Bill Gates,

etc. . .

Já estava começando a relaxar, tirando férias de suas responsabilidades, quando, lá pelo quarto dia, um furacão vitimou o navio virando-o como se fosse uma caixa de fósforos. O rapaz, mais tonto que uma barata depois de pulverizada com inseticida, conseguiu agarrar-se a um salva-vidas e chegou são e salvo a uma ilha aparentemente muito deserta e escondida.

Deparou-se, então, com uma cena belíssima: Cachoeiras, bananas, coqueiros. . .

E quase nada além disso. Ele começou a ficar desesperado, sentindo-se completamente

abandonado.

Vários meses se passaram e um belo dia apareceu, remando, uma belíssima moça,

uma mistura de Sharon Stone com Cindy Crawford.

"Oi! Eu estou morando do outro lado da ilha. Você também estava no Cruzeiro? "

"Estava! Mas onde você conseguiu esse bote? "

"Simples! Tirei alguns galhos de árvores, sangrei uma seringueira para obter

borracha, reforcei os galhos, fiz a quilha e os remos com madeira de eucalipto

e aqui está! "

"Mas. . . Com que ferramentas você fez tudo isso? "

"Bom. Achei uma camada de material rochoso, evidentemente formada por aluviões.

Descobri que quando aquecido a certa temperatura, esse material assume uma forma

muito maleável. . . Mas chega disso! Onde você tem vivido esse tempo todo? Não

vejo nada parecido com um teto por aqui. . . "

"Para ser sincero, tenho dormido na praia. . . "

"Quer vir até a minha casa? "

O analista de sistemas ficou meio sem jeito, mas aceitou o convite da moça.

Subiram então no bote, e a moça adiantou-se até os remos e, com extrema destreza,

remou ao redor da ilha. Quando chegaram ao "seu" lado, amarrou a canoa com uma

corda que mais parecia uma obra prima artesanal. Os dois caminharam por uma

passarela de pedras, construída pela moça, e depararam, atrás de um coqueiro, com um lindo chalé pintado de azul e branco.

"Não é muito, disse ela, mas eu o chamo de Lar. "

O analista então sorriu, meio sem graça e muito admirado, e seguiram até a casinha.

"Sente-se, por favor. Aceita um drinque? "

"Não, obrigado! Não agüento mais água de coco! "

"Mas não é água de coco! Eu tenho um alambique meio rudimentar lá fora, de forma

que podemos tomar `Pinas-coladas` autênticas! "

Ele, completamente tonto, tentava disfarçar a surpresa. "Uau! ", Pensou. . . E aceitou o drinque. Caminharam até o sofá, onde sentaram-se para conversar.

Depois de contarem suas histórias, a moça perguntou:

"Bom, se quiser se barbear, tem uma navalha lá em cima, no armarinho do banheiro. "

O homem achou que a moça estava de sacanagem, mas foi assim mesmo. Lá em cima, surpreso, fez a barba com um complicado aparelho feito de osso e conchas, tão afiado quanto uma navalha.

A seguir, tomou um banho, sem nem mesmo querer arriscar palpites sobre como ela tinha água quente no banheiro. Desceu sem poder deixar de se maravilhas com o acabamento do corrimão.

"Você ficou ótimo! Vou lá pra cima trocar essa roupa por algo mais confortável. . . "

Nosso herói continuou bebericando sua pina-colada. Em instantes, a moça estava de volta, com um delicioso perfume de gardênias, vestindo um estonteante e revelador robe, muito bem trabalhado em folhas de palmeira.

"Bom - disse ela - ambos temos passado um longo tempo sem qualquer companhia. . .

Você não tem se sentido solitário? Há alguma coisa de que você sente muita saudade?

Que lhe faz muita falta e do qual todos os homens e mulheres precisam? "

"Mas é claro! " - Disse ele, esquecendo um pouco sua timidez.

"Tem algo que venho querendo todo esse tempo. Mas. . . Aqui nesta ilha. . . Sabe

como é. . . Era simplesmente impossível! "

"Bem, já não é mais impossível. . . Se é que você me entende. . . "

O rapaz, tomado de uma excitação incontrolável, quase explodindo de emoção:

"Não acredito! Você não está querendo me dizer que bolou um jeito

de resgatar os seus e-mails aqui da ilha, está?!?! "
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