25/03/2009

Numa Ilha Deserta

Um analista de sistemas, muito introvertido, do tipo que respira informática 24h por dia e não larga seu Notebook, finalmente conseguiu ser convencido pelas propagandas da Internet a fazer um cruzeiro por ilhas paradisíacas.
Ah... Que delicia!! O mar azul que ele só conhecia por seu monitor de vídeo,os golfinhos... Hummmm... Nada de ar-condicionado, mainframes, PC, Bill Gates,
etc...
Já estava começando a relaxar, tirando férias de suas responsabilidades, quando, lá pelo quarto dia, um furacão vitimou o navio virando-o como se fosse uma caixa de fósforos. O rapaz, mais tonto que uma barata depois de pulverizada com inseticida, conseguiu agarrar-se a um salva-vidas e chegou são e salvo a uma ilha aparentemente muito deserta e escondida.
Deparou-se, então, com uma cena belíssima: cachoeiras, bananas, coqueiros...
e quase nada além disso. Ele começou a ficar desesperado, sentindo-se completamente abandonado.
Vários meses se passaram e um belo dia apareceu, remando, uma belíssima moça, uma mistura de Sharon Stone com Cindy Crawford.
"-Oi! Eu estou morando do outro lado da ilha. Você também estava no Cruzeiro?"
"-Estava! Mas onde você conseguiu esse bote?"
"-Simples! Tirei alguns galhos de árvores, sangrei uma seringüeira para obter borracha, reforcei os galhos, fiz a quilha e os remos com madeira de eucalipto e aqui está!"
"-Mas... com que ferramentas você fez tudo isso?"
"-Bom. Achei uma camada de material rochoso, evidentemente formada por aluviões. Descobri que quando aquecido a certa temperatura, esse material assume uma forma muito maleável... Mas chega disso! Onde você tem vivido esse tempo todo? Não
vejo nada parecido com um teto por aqui..."
"-Para ser sincero, tenho dormido na praia..."
"-Quer vir até a minha casa?"
O analista de sistemas ficou meio sem jeito, mas aceitou o convite da moça.
Subiram então no bote, e a moça adiantou-se até os remos e, com extrema destreza, remou ao redor da ilha. Quando chegaram ao "seu" lado, amarrou a canoa com uma corda que mais parecia uma obra prima artesanal. Os dois caminharam por uma passarela de pedras, construída pela moça, e depararam, atrás de um coqueiro, com um lindo chalé pintado de azul e branco.
"-Não é muito, disse ela, mas eu o chamo de LAR."
O analista então sorriu, meio sem graça e muito admirado, e seguiram até a casinha.
"-Sente-se, por favor. Aceita um drinque?"
"-Não, obrigado! Não agüento mais água de coco!"
"-Mas não é água de coco! Eu tenho um alambique meio rudimentar lá fora, de forma que podemos tomar `Pinas-coladas` autênticas!"
Ele, completamente tonto, tentava disfarçar a surpresa. "Uau!", pensou... e aceitou o drinque. Caminharam até o sofá, onde sentaram-se para conversar.
Depois de contarem suas histórias, a moça perguntou:
"-Bom, se quiser se barbear, tem uma navalha lá em cima, no armarinho do banheiro."
O homem achou que a moça estava de sacanagem, mas foi assim mesmo. Lá em cima, surpreso, fez a barba com um complicado aparelho feito de osso e conchas, tão afiado quanto uma navalha.
A seguir, tomou um banho, sem nem mesmo querer arriscar palpites sobre como ela tinha água quente no banheiro. Desceu sem poder deixar de se maravilhar com o acabamento do corrimão.
"-Você ficou ótimo! Vou lá pra cima trocar essa roupa por algo mais confortável..."
Nosso herói continuou bebericando sua pina-colada. Em instantes, a moça estava de volta, com um delicioso perfume de gardênias,vestindo um estonteante e revelador robe, muito bem trabalhado em folhas de palmeira.
"-Bom... - disse ela - Ambos temos passado um longo tempo sem qualquer companhia... Você não tem se sentido solitário? Há alguma coisa de que você sente muita saudade? Que lhe faz muita falta e do qual todos os homens e mulheres precisam?"
"-Mas é claro!" - disse ele, esquecendo um pouco sua timidez. Tem algo que venho querendo todo esse tempo. Mas... Aqui nesta ilha... Sabe como é... Era simplesmente impossível!"
"-Bem, já não é mais impossível... Se é que você me entende..."
O rapaz, tomado de uma excitação incontrolável, quase explodindo de emoção:
"-Não acredito! Você não está querendo me dizer que bolou um jeito
de resgatar os seus e-mails aqui da ilha, está?"

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